RELAÇÃO ENTRE A CRIPTOCOCOSE E INDIVÍDUOS PORTADORES DO HIV

Queiroz E.P1; Santana J.C1; Barbosa L.M.S1; Maia C.S2
1Estudante do Curso de Enfermagem – UFPE; 2Docente do Departamento de Histologia e Embriologia – UFPE.

Abstract:
A Criptococose é uma infecção fúngica respiratória, predominantemente oportunista, causada pelo basidiomiceto do gênero Cryptococcus neoformans nas suas duas variedades: neoformans e gatti. A primeira ocorre mais frequentemente em indivíduos imunocomprometidos, disseminando-se por todo o organismo e apresentando alta mortalidade; a segunda, acomete principalmente indivíduos HIV negativos, sem fatores predisponentes para infecção fúngica. O C. neoformans var. neoformans pode ser adquirido no ambiente, pelo contato com solo contaminado com excretas de aves, ou em associação com determinados tipos de Eucalyptus. Ele tem tropismo pelo Sistema Nervoso Central (SNC) e tem o HIV como principal fator predisponente para sua evolução. Identificar na literatura científica a relação entre a criptococose causada pelo Cryptococcus neoformans var. neoformans e AIDS. Realizou-se uma revisão integrativa a partir da busca de estudos nas bases de dados da MEDLINE, LILACS, BDENF e na Biblioteca Virtual da SCIELO, utilizando os descritores: Criptococose, AIDS, Micologia. Foram encontrados 28. Após aplicar os critérios de inclusão, como artigo com texto completo disponível, escrito no idioma português e com recorte temporal nos últimos dez anos, restaram sete artigos que compuseram a amostra do estudo. Dados indicaram que a Criptococose, nos casos de pacientes com AIDS, é considerada a terceira ou quarta maior infecção oportunista mais frequente e, portanto, uma causa importante de óbito, já que a infecção primária, normalmente respiratória, frequentemente torna-se sistêmica. Evidenciou-se também que os pacientes imunodeprimidos infectados pela referida micose têm um péssimo prognóstico, uma vez que o patógeno pode aumentar a infectividade do HIV-1; aumentar a atividade da transcriptase reversa, elevando a capacidade de replicação viral, aumento da fusão viral, e elevada capacidade do HIV-1 de infectar células do Sistema Nervoso Central (SNC). No SNC, a meningoencefalite mostra-se como a principal forma de acometimento da doença criptocócica, ocorrendo em mais de 80 % dos casos, quer sob forma isolada ou associada ao acometimento pulmonar. Entre seus sintomas mais comum estão a cefaleia e febre, podendo-se observar hipertensão intracraniana (HIC), vômitos, diplopia, confusão, coma e papiledema. É necessário, portanto, chamar a atenção dos profissionais de saúde para a frequência e gravidade dessa infecção micótica em nosso ambiente e, com isso, possibilitar um diagnóstico precoce e um melhor prognóstico para esses doentes, traduzindo-se assim numa melhoria marcada da sobrevida, que é de apenas 20-30 % em doentes não tratados.

Keywords:
AIDS; Criptococose; Micologia

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