Article of International Journal of Sex Research 

O ATUAL PANORAMA DA SÍFILIS CONGÊNITA NO BRASIL

Cavalcante, J.M.S¹ Firmino, M.G² Melo, R.R.N³ Figueiredo, Y.M.B.F4 Lima, P.L.S5 Carvalho, R.S.F6
1,2,3,4,5 Estudante do Curso de Enfermagem – UFPE; 6Docente/Pesquisador do Departamento de Medicina Tropical – UFPE.

Abstract:
A sífilis é uma patologia infectocontagiosa e de evolução crônica, ocasionada pelo Treponema pallidum, cuja transmissão ocorre por via sexual ou por via placentária (sífilis congênita). Na última década, foi observado um aumento progressivo nos casos de sífilis congênita (SC) no Brasil, resultando em mortalidade neonatal e fetal significativa. Segundo dados do Ministério da Saúde: em 2006 a taxa era de 2,0 casos/mil nascidos vivos e em 2015 subiu para 6,5. Esse aumento na incidência dos casos de sífilis tem causas multifatoriais, que incluem falta de penicilina no país, baixa qualidade do pré-natal e a questão cultural associada ao tratamento de DST. Portanto, a ocorrência de SC representa lacunas graves na saúde, sendo sua incidência considerada um indicador para avaliação da qualidade da assistência médica à gestante. Mostrar o atual perfil epidemiológico da sífilis congênita no Brasil através de dados recentes da literatura. Consistiu de uma revisão da literatura dos últimos cinco anos nos sites governamentais e de pesquisa como Science Direct e Scielo, utilizando os descritores "sífilis congênita e prevalência". Apesar da SC ser uma patologia curável e de todos os esforços da Organização Mundial de Saúde, ela ainda configura como um dos principais problemas de saúde pública no Brasil. Em 2016, o número de casos de SC notificados no Brasil chegou a 9.200 e segundo o boletim epidemiológico, de 1998 a junho de 2016, foram notificados no Sinan 142.961 casos de sífilis congênita em menores de 1 ano de idade, o que indica que a SC ainda é uma epidemia ativa. De acordo com os dados obtidos, de quase três milhões de mulheres que engravidam por ano Brasil apenas 75 % realizam pré-natal, destas cerca de 50% chegam a fazer o VDRL no início do acompanhamento, todavia 77 % em média não repetem o exame no terceiro trimestre de gestação. Outro fator é a baixa de adesão/aceitação do tratamento pelos parceiros das gestantes com sífilis. Os estudos revelaram que apenas 17,3% destes têm seus parceiros tratados para a doença. Outro agravante da incidência dos casos de SC no Brasil foi à escassez da penicilina benzatina, a principal opção terapêutica para prevenir a transmissão vertical da sífilis, assim como o tratamento da infecção fetal. Diante do exposto, o principal desafio deste trabalho consistiu em mostrar para a sociedade a real situação da sífilis congênita no Brasil e como ela ainda encontra- se negligenciada pela sociedade. O impacto na saúde pública da sífilis tanto na gravidez como na infância continua a ser significante e a eliminação da transmissão materno-infantil só irá se tornar uma realidade por meio de serviços de saúde pré-natal de alta qualidade.

Keywords:
Doença Sexualmente Transmissível; Pré-natal; Sífilis Congênita; Transmissão Placentária

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